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sábado, 20 de outubro de 2012

A ética da terra

Hoje lembrei das minhas aulas de agronomia, sobre conservação, uso e manejo da terra, deu saudades desses assuntos, meu nome deveria ser nostalgia mesmo rs, acabei que por acaso indo ao encontro de um cara antigo que foi um vanguardista do conservacionismo e fundou uma escola de pensamento, Aldo Leopold dedicou-se aos estudos da ética da terra .


Ele disse:

"Como vivermos em um pedaço de terra sem estragá-lo?"


Esta questão levou a construção do Legacy Leopold Center, e inspirou experiência de Leopold no retorno ao natural da fazenda Wisconsin, onde ele transformou um antigo galinheiro em uma confortável casa de fim de semana. Leopold reconheceu que uma ética não é apenas uma declaração, é uma evolução no modo de vida de pensar uma sociedade. Em seu livro mais famoso, A Sand County Almanac , Leopold escreve: “A thing is right when it tends to preserve the integrity, stability, and beauty of the biotic community. A Sand County Almanac já vendeu mais de dois milhões de cópias. Este texto, muitas vezes chamado de "a Bíblia de Conservação," vai continuar a ser relevante por causa das verdades essenciais que cada leitor perspicaz poderá encontrar lá. Leopold escreveu: "Nós nunca alcançaremos a harmonia com a terra, não mais do que podemos alcançar a justiça absoluta ou a liberdade para as pessoas. Nestas aspirações mais elevadas, o importante não é conseguir, mas se esforçar. "Nesta declaração, ele assegurou a relevância de seu legado.



A propriedade de férias mais sombria que se possa imaginar foi comprada em 1935, quando Aldo Leopold caminhavam com sua esposa, Estella, e seus cinco filhos adolescentes por meio de uma nevasca para observarem o esterco de galinha congelado, isso por que o estrume iria nutrir um jardim de verão a ser planejado.


A propriedade perto de Baraboo, Wisconsin, era uma terra desgastada, 80 hectares de areia inadequadas para a agricultura, cheias de campos de milho fracassados. O proprietário anterior, incendiou a casa da fazenda e deixou a terra que não tinha mais nada para lhe dar. Os Leopolds compraram o terreno e apostaram como eles podiam restaurar a biota destruída.




É possível restaurar através de práticas conservacionistas um sistema comprometido.


Leopold nunca viu suas árvores crescem em uma floresta, e nunca viu a pradaria vir à vida. Ele não viu seus cinco filhos crescerem e continuarem seus passos. Em 1948, ele sofreu um ataque cardíaco fatal enquanto ajudava um vizinho para combater um incêndio comum na região.






Leopold começou a escrever o livro Game Management e co-fundou a "The Wilderness Society " em um esforço para mudar a prática nacional de ver a terra como mercadoria e não como comunidade. A paixão de Leopold por desertos e sistemas comprometidos era o núcleo da sua família, diversão, aventura e valores. Esta era uma família de caçadores, arqueiros, caminhantes, remadores e observadores. Um campeão do mundo de observação, Leopold descrevia os gansos de novembro em sua fazenda.

Ninguém da família imaginou que na mesma propriedade onde Leopold iria morrer, na mesma rua do barraco, uma dos mais verdes edifícios já construídos em um clima do norte iria levantar-se das lutas físicas e espirituais do trabalho da família e ser situado em uma floresta onde antes havia apenas campos em ruínas.

photo of a building in stone, solar panels in evidence

Em 22 de abril de 2007, o Leopold Legado Centro abriu as suas portas ao público. De acordo com Buddy Huffaker, diretor-executivo da Fundação Leopold, "Este edifício ajuda a conectar o movimento de restauração ecológica com a construção verde e design verde. Ele começa a se conectar a nossa longa história e tradição de conservação com algumas das novas técnicas e tecnologias de sustentabilidade. Este edifício coloca a ética da terra no século 21. "

O edifício de 12.000 metros quadrados, com seus 192 painéis solares, sistemas de aquecimento, resfriamento radiante geotérmica e aquecimento, e múltiplas funcionalidades de poupança de energia passivos, espera-se que têm um consumo anual de energia de zero. Huffaker está motivado para ir mais longe. "O modelo diz que devemos produzir 110 por cento da energia que usamos para executar a construção. Eu estou otimista que podemos fazer ainda melhor se nós nos esforçar para sermos otimizadores com o uso de energia. "

Fonte: http://www.earthisland.org/journal/index.php/eij/article/building_on_the_land_ethic_in_the_21st_century/

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pistis Sophia


A Pistis Sophia tem uma importância transcendental pra humanidade devido ao fato de se constituir na maior expressão hoje do ideal gnóstico, que é a completa libertação da alma de todas essas ataduras, visíveis ou invisíveis, que a aprisionam na roda da vida ou roda do Samsara de que falam os hindustânicos.


Arte em Chartres mostra a ascensão de Cristo



Os 7 degraus da consciência já era conhecido por Platão

Escrito originalmente em copto e posteriormente traduzido ao grego, o texto da Pistis Sophia foi uma relíquia venerada durante milênios pelas diversas confrarias gnósticas que se sucederam ao longo da história.

A forma em que discorre a Pistis Sophia está repleta de indicações cosmogônicas, antropológicas e teológicas direcionadas a atingir o perdão da alma mediante a auto-aplicação do castigo purificador; o qual está amplamente comentado e desenvolvido na temática gnóstica que nos legou o V.M. Samael Aun Weor, segundo a qual, somente através de padecimentos voluntários e sacrifícios conscientes, é possível desintegrar as correntes que aprisionam nosso material anímico, podendo, deste modo, recuperar a luz que perdemos através dos séculos e milênios.


Contendo as palavras do Grande Kabir Jesus ditadas a seus apóstolos durante onze anos após a Ressurreição, a Pistis Sophia constituiu-se na Bíblia por excelência dos gnósticos e, com justa razão, argumentou-se por isso que não existe outra obra que descreva com tanta nitidez o pensamento do Nazareno e os fins de sua doutrina.

É bastante chamativo o diálogo que permanentemente se desenvolve ao longo do conteúdo desta obra. É um diálogo entre a alma (submergida no pecado) e o Divino Redentor, como representante supremo das Regiões da Luz. Mediante este diálogo, Pistis Sophia vai clamando por auxílio para abandonar sua pobreza espiritual e o Nazareno vai respondendo às suas súplicas, desvelando os porquês da queda de Sophia e a experiência adquirida com a sabedoria do pecado.


Para os seguidores da Gnose eterna, a alma, ou o material psíquico que está contido no ser humano, foi vítima de uma queda espiritual provocada por um falso Deus ou Demiurgo Criador. Esta queda ocasionou em Pistis Sophia (a alma humana) uma distorção em sua estrutura original e, seqüencialmente, o aparecimento de agregados psíquicos ou demônios que a atormentam e a aprisionam desde então, a ponto de afastá-la de sua morada divina e de lançá-la aos Aeones inferiores ou ao Caos das religiões.

A missão do texto contido na Pistis Sophia não é outra que a de contar a origem dela própria e sua desgraça ao haver ficado encerrada na matéria e, somada a isso, a maneira de abandonar essa condição miserável por meio de métodos divinos com o propósito de reconquistar os Céus ou Aeones outrora perdidos.

Inquestionavelmente, a linguagem que compõe a Pistis Sophia é eminentemente parabólica e plena de metáforas, no mais puro estilo das comunidades que existiam em tempos pré-cristãos e também durante a permanência de Jesus na Terra Santa. Este fato condicionou a Pistis Sophia a converter-se no texto gnóstico mais incompreendido pelos exegetas de todos os tempos e, por outra parte, foi o motivo secreto que impediu sua alteração.

É talvez por este motivo que existia uma profecia que sentenciava enfaticamente o seguinte: «Somente alguém que tenha encarnado os princípios crísticos em sua natureza espiritual será capaz de entender, compreender e desvelar o conteúdo da Pistis Sophia»…

Foi necessário que os séculos e milênios passassem para que, finalmente, no Século XX, um autêntico Mestre, representante da estirpe dos Iniciados Solares, aparecesse diante o veredicto solene da consciência pública para desvelar, com toda riqueza de detalhes, esta obra sagrada e portadora das chaves da redenção humana.

Este grande Ser, em boa hora vindo a nós desde o Alto, foi o muito Venerável Mestre Samael Aun Weor, Avatara de Avalokitesvara para esta nova Era de Aquário que já está se desenvolvendo entre o augusto troar do pensamento.

O Nazareno ditou de lábios a ouvidos a seus apóstolos o corpo de doutrina contido na Pistis Sophia, que eles, os apóstolos, recolheram com devoção em seus escritos, constituindo-se assim os livros ou capítulos desta magna obra.

Porém, escrito está que, para o gênero humano comum e corrente, a Pistis Sophia, em seu estado original, é como um livro mudo, já que o sentido que as palavras desse texto encerram é totalmente enigmático. No entanto, com a revelação que nos faz o V.M. Samael Aun Weor, a Pistis Sophia converte-se na guia exata através da qual é possível tirar o ente humano do labirinto de confusões em que normalmente se encontra e devolvê-lo ao status divino que originalmente possuía, segundo o mesmo Gênesis hebraico.

É, portanto, a Pistis Sophia, a portadora da herança perdida que a todos nos corresponde e que podemos chegar a possuir de novo mediante as formulações didáticas e dialéticas da Gnose contemporânea entregue à humanidade deste tempo pelo insigne Mestre Samael Aun Weor.

Atribui-se a Pistis Sophia a Valentin, eminente e valente buscador da verdade, o qual teve a coragem de se rebelar contra os dogmas pontifícios da Igreja católica, a qual já começava naqueles tempos (Séculos I e II da nossa era) a fabricar sua ortodoxia eclesiástica com o fim de deixar fora de jogo os autênticos cristãos primitivos que abraçavam a Gnose que lhes havia sido outorgada por Jesus.

Muitos teólogos não duvidam em afirmar que: «Durante a segunda metade do Século II e os começos do Século III, a doutrina de Valentin ia ser a mais poderosa e séria das dissidentes da Igreja, superando sua literatura, em volume, à da própria Igreja».

A história das religiões teria que fazer uma homenagem póstuma a Valentin por nos haver condensado, de maneira tão escrupulosa, o caminho de regresso para o oceano da grande luz, permitindo hoje, em pleno Século XXI, a todo o formigueiro humano que povoa a face de nosso mundo, realizar dentro de si a comunhão disso se chama GRAÇA e VERDADE.

O provérbio popular nos disse sempre: «Para grandes males, grandes remédios». E, neste preciso momento em que a humanidade vive uma onda de apostasia manifesta, esta obra monumental, a Pistis Sophia, vem cumprir uma sagrada missão ao chegar a nós decifrada por virtude da iluminação de um homem autenticamente cristificado, chamado Samael Aun Weor…


Estamos hoje, mais do que nunca, nos diz a Gnose Samaeliana, diante do dilema do SER ou do NÃO-SER e disto se deduz claramente que nunca em outros tempos se tinha produzido na linhagem humana uma auto-seleção que dividirá aos povoadores de nossa órbita em duas categorias bem definidas: de um lado, a das águias e, do outro, a dos répteis; uma de anjos e outra de demônios…


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Profecias marxistas se concretizando

Ainda no começo do século XX uma corrente de intelectuais da escola de Frankfurt, o povo do marxismo,  os teóricos da globalização, entre outros.. eles profetizaram que iria chegar um momento ainda nesse século em que as pessoas não saberiam o que são, haveria a perca da identidade elas iriam ficar imbecilizadas com o consumo, a competição, a necessidade de serem alguém de valor comercial e não humano, acho que esse povo da esquerda embora muito idealistas tem um pouco de razão, talvez nunca na história houve uma massa tão imbecil, tão burra e tão idiota como a de nossa contemporaneidade.E o próprio ideal marxista hoje com um governo esquerdista no poder a serviço de deixar o povo absolutamente igual as suas profecias, então são as contradições da vida.

Alguém disse... a arte já não transforma mais a a realidade isso é muito triste..acho que foi Jean Baudrilard, um dos últimos teóricos de cultura de massa, o será do século XXII é que tenho pensado, com essa geração que temos agora, sei não, vai da muita merda.

domingo, 23 de setembro de 2012

Um novo conceito do universo


Mentally, like attracts like but in matter, opposites attract.
 The phenomenon of attraction and repulsion is present in both electric and magnetic phenomenon. 
The great discovery made by JC Maxwell in the XIX century which he left for posterity in the form of a differential equation is that there are no magnetic charges in matter; there are only electric charges.
 However, there are magnetic poles even though there are no electric poles.
John Villa



















Jason Verbelli fez no mundo um grande serviço em actualizar alguns manuscritos muito raros de Walter Russell.

A-Russell-Genero-radiativa Concept-













































sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O olho elétrico


Que notícia mais legal essa sobre o olho elétrico!




sábado, 16 de julho de 2011

Teoria da Reminiscência



Muitas pessoas ainda não dão o valor merecido ao trabalho artesanal, " o feito-a- mão", talvez por falta de informação, mas é bom saber que quem tem o dom para desenvolver habilidades de cortar pedaços de tecidos num padrão geométrico como no quilting, patchwork, ou até mesmo um alfaiate com suas peças do vestuário, todos que se prestam a construção de alguma coisa esta praticando não só uma ato filosófico, transcendental como também um ato extremamente científico e de alta relevância matemática. Não é por acaso que essas atividades estão sendo estudadas por pesquisadores do mundo todo.


Leiam esse diálogo e reflitam mais sobre a geometria como ferramenta capaz de despertar para as grandes verdades eternas e a relação com o auto-conhecimento progressivo e gradual para quem o exercita.

(....)

Ménon é um dos diálogos de Platão, que coloca Sócrates em diálogo com o estudante Ménon, o qual pretende que Sócrates lhe explique o que é a virtude. Numa certa passagem do diálogo, Ménon pede ao mestre que lhe explique a razão da sua opinião sobre a aprendizagem. Platão, através de Sócrates, propõe que nada aprendemos, mas apenas nos recordamos de conceitos que já sabíamos através da nossa alma. Neste diálogo, Sócrates passa a demonstrar essa afirmação usando conceitos matemáticos. 

Segundo David Fowler, esta parte do diálogo Ménon é o primeiro texto directamente conhecido sobre a matemática grega, datando provavelmente de 385 a.C.. Escritos mais antigos não sobreviveram, e são conhecidos apenas através de referências de terceiros. 

MÉNON: Mas limitas-te a afirmar que não aprendemos nada, e que aquilo a que chamamos aprender não é mais do que recordar? Podes mostrar-me que assim é? 

SÓCRATES: Já te disse, Ménon, que és muito malicioso. Pedes-me uma lição, quando acabo de afirmar que não há ensino, que há apenas reminiscência. Pretendes fazer-me cair imediatamente em contradição comigo mesmo. 

MÉNON: De modo nenhum, Sócrates, por Zeus! Não tinha essa intenção e falei assim apenas por hábito. Se tiveres alguma maneira de me fazeres ver que é como dizes, mostra-mo. 

SÓCRATES: Não é fácil, mas gostaria de tentar, por amizade a ti. Chama um dos muitos escravos que te acompanham, aquele que quiseres, e far‑te‑ei ver o que desejas. 

MÉNON: De bom grado. (Dirigindo-se a um jovem escravo:) Vem cá. 

SÓCRATES: É grego? Fala a nossa língua? 

MÉNON: Perfeitamente; nasceu em minha casa. 

SÓCRATES: Presta bem atenção e vê se ele parece recordar-se ou se parece aprender comigo. 

MÉNON: Prestarei atenção. 

SÓCRATES: Diz-me, rapaz, sabes que esta figura é um quadrado? 


ESCRAVO: Sim. 

SÓCRATES: O quadrado tem estas quatro linhas iguais? 

ESCRAVO: Sim. 

SÓCRATES: E estas linhas que o atravessam pelo meio são também iguais? 

ESCRAVO: Sim. 

SÓCRATES: Uma figura deste género pode ser maior ou mais pequena? 

ESCRAVO: Certamente.


SÓCRATES: Se este lado tivesse dois pés de comprimento e este outro também, quantos pés mediria o todo? Repara bem: se este lado fosse de dois pés e aquele outro fosse de um pé somente, não é verdade que o espaço seria de uma vez dois pés ?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Mas, como o segundo é também de dois pés, não faz isso duas vezes dois?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Portanto, a figura é agora de duas vezes dois pés.
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Quantos são duas vezes dois pés? Faz a conta e diz-me!
ESCRAVO: Quatro.
SÓCRATES: Não seria possível ter uma figura dupla desta, mas semelhante, tendo também todas as suas linhas iguais?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Quantos pés teria?
ESCRAVO: Oito.
SÓCRATES: Ora tenta dizer-me qual seria o comprimento de cada linha da nova figura. Nesta, a linha tem dois pés; quantos terá a linha da figura dupla?
ESCRAVO: É evidente, Sócrates, que terá o dobro.
SÓCRATES: Vês, Ménon, que não lhe estou a ensinar nada e que me limito a interrogá-lo? Neste momento ele julga saber qual é o comprimento do lado que dá um quadrado de oito pés. Concordas comigo?
MÉNON: Sim.
SÓCRATES: Mas sabe-o?
MÉNON: Certamente que não.
SÓCRATES: Ele julga que esse lado é o dobro do precedente.
MÉNON: Sim.
SÓCRATES: Agora observa como ele se vai recordar duma maneira correcta.
(Dirigindo-se ao escravo:) Responde-me. Dizes que a linha de comprimento duplo produz a figura de tamanho duplo? Repara: não me refiro a uma figura comprida aqui e curta ali. Pretendo um figura como esta, igual em todos os sentidos, mas que tenha uma extensão dupla, ou seja, de oito pés. Vê se ainda julgas que ela se obtém por duplicação da linha.
ESCRAVO: Penso que sim.
SÓCRATES: Esta linha estará duplicada se lhe juntarmos, a partir deste ponto, outra de igual comprimento?
ESCRAVO: Sem dúvida.
SÓCRATES: É então sobre esta linha que se constrói a figura de oito pés, traçando quatro linhas iguais?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Tracemos então quatro linhas iguais, tomando esta para modelo. Eis uma figura que tu dizes ter oito pés?
ESCRAVO: Certamente.
SÓCRATES: Mas não contém ela quatro quadrados iguais ao primeiro, o qual tem quatro pés?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Qual é então a sua extensão? Não é quatro vezes maior?
ESCRAVO: Sem dúvida.
SÓCRATES: Uma coisa quatro vezes maior do que outra é o dobro dela?
ESCRAVO: Não, por Zeus!
SÓCRATES: Então o que é?
ESCRAVO: O quádruplo.
SÓCRATES: Portanto, dobrando a linha, não se constrói a figura dupla, mas sim quádrupla.
ESCRAVO: É verdade.
SÓCRATES: E quatro vezes quatro são dezasseis, não são?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Então com que linha obteremos uma figura de oito pés? Esta deu-nos uma figura quádrupla, não deu?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: E aquela linha com metade do comprimento deu-nos uma figura de quatro pés?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Muito bem. E uma figura de oito pés não é dupla desta e metade daquela?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Não terá então uma linha maior do que esta e menor do que aquela?
ESCRAVO: Penso que sim.
SÓCRATES: Correcto. Responde sempre conforme a tua opinião. Ora diz‑me, não tinha a primeira linha dois pés e a segunda quatro?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Portanto, para a figura de oito pés, é necessária uma linha mais comprida do que a de dois pés mas mais curta do que a de quatro.
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Tenta dizer-me qual o seu comprimento.
ESCRAVO: Três pés.
SÓCRATES: Para que a linha tenha três pés basta juntar, a esta, a metade do seu comprimento: dois pés mais um pé. E, neste lado, também dois pés mais um pé. Eis a figura que tu pretendes?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Mas se a figura tem três pés neste lado e três pés naquele lado, não é ela de três vezes três pés?
ESCRAVO: Parece que sim.
SÓCRATES: E quantos são três vezes três pés?
ESCRAVO: Nove.
SÓCRATES: Mas, para que a figura fosse dupla da primeira, quantos pés deveria ter?
ESCRAVO: Oito.
SÓCRATES: Então não é ainda a linha de três pés que nos dá uma figura de oito pés?
ESCRAVO: É verdade que não.
SÓCRATES: Que linha é então? Tenta dizer‑no‑la exactamente, e se preferires não fazer contas, mostra‑no‑la na figura.
ESCRAVO: Por Zeus, Sócrates, não sei!
SÓCRATES: (Voltando-se para Ménon:) Vês, Ménon, a distância que ele já percorreu no percurso da reminiscência? A princípio, não sabendo o lado do quadrado de oito pés, que aliás ainda não sabe, julgava sabê-lo e respondia com segurança, como se soubesse, sem qualquer sentido da dificuldade. Agora tem consciência do seu embaraço e, embora não saiba, pelo menos não julga que sabe.
MÉNON: Tens razão.
SÓCRATES: Não está ele agora em melhor posição relativamente àquilo que ignorava?
MÉNON: Também admito que sim.
SÓCRATES: Embaraçando-o, e entorpecendo-o como faz a tremelga, ter‑lhe‑emos causado algum dano?
MÉNON: Creio que não.
SÓCRATES: Pelo contrário, ajudámo-lo a descobrir a sua posição relativamente à verdade. Agora, como ignora, terá prazer em procurar; enquanto que anteriormente ele não hesitaria em dizer e em repetir com confiança perante uma multidão que, para duplicar um quadrado, se deve duplicar o lado.
MÉNON: É provável.
SÓCRATES: Crês que ele se disporia a procurar e a aprender uma coisa que ele não sabia, mas que julgava saber, antes de se ter sentido embaraçado por ter tomado consciência da sua ignorância, e de ter sentido o desejo de saber?
MÉNON: Não creio, Sócrates.
SÓCRATES: Portanto, o entorpecimento foi-lhe proveitoso.
MÉNON: Sou dessa opinião.
SÓCRATES: Observa agora o que esse embaraço o vai fazer descobrir, procurando comigo, sem eu lhe ensinar nada, pois tenciono apenas interrogá‑lo. Vê se consegues surpreender-me a dar-lhe ensinamentos ou explicações, em vez de me limitar a pedir a sua opinião.
(Dirigindo-se ao escravo:) Diz-me, rapaz, temos então aqui uma figura de quatro pés? Compreendes?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Podemos juntar-lhe este outro, que lhe é igual?
ESCRA VO: Sim.
SÓCRATES: E ainda este outro, igual a cada um dos dois primeiros?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: E podemos completar a figura, colocando este outro neste canto vazio.
ESCRAVO: Perfeitamente.
SÓCRATES: Não temos nós agora quatro figuras iguais?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Todas juntas, quantas vezes são maiores do que esta?
ESCRAVO: Quatro vezes.
SÓCRATES: Mas nós pretendemos uma figura dupla; lembras-te?
ESCRAVO: Sem dúvida.
SÓCRATES: Estas linhas, que vão dum ângulo a outro, não dividem ao meio cada um dos quadrados?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Eis, portanto, quatro linhas iguais que delimitam um novo quadrado.
ESCRAVO: Vejo.
SÓCRATES: Repara bem: qual é a extensão deste quadrado?
ESCRAVO: Não sei.
SÓCRATES: Estas linhas não dividem ao meio cada um dos quadrados? Sim ou não?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: Quantas destas metades há no quadrado do meio?
ESCRAVO: Quatro.
SÓCRATES: E neste aqui?
ESCRAVO: Duas.
SÓCRATES: O que é quatro em relação a dois?
ESCRAVO: O dobro.
SÓCRATES: Quantos pés tem então este quadrado?
ESCRAVO: Oito.
SÓCRATES: E sobre que linha foi ele construído?
ESCRAVO: Sobre esta linha.
SÓCRATES: A linha que vai dum ângulo a outro no quadrado de quatro pés?
ESCRAVO: Sim.
SÓCRATES: A esta linha os sofistas chamam a diagonal. Se este é o seu nome, dizes que a figura dupla se forma sobre a diagonal.
ESCRA VO: Assim é, Sócrates.
SÓCRATES: Que te parece, Ménon? Exprimiu ele alguma opinião que não tivesse tirado de si próprio?
MÉNON: Nenhuma; tirou tudo do fundo de si próprio.
SÓCRATES: E, contudo, ele não sabia, como há pouco verificámos.
MÉNON: É verdade.
SÓCRATES: Então estas opiniões estavam algures dentro dele, não estavam?
MÉNON: Sim.
SÓCRATES: Portanto, quem não sabe tem dentro de si opiniões verdadeiras acerca daquilo que ignora.
MÉNON: Parece que sim.
SÓCRATES: Ao serem despertadas, as opiniões verdadeiras tem o efeito dum sonho. Mas se as mesmas questões lhe forem postas frequentemente e de diversas maneiras, poderás estar certo de que chegará a possuir um conhecimento tão exacto como o mais sabedor.
MÉNON: É o que parece.
SÓCRATES: Saberá sem que ninguém o ensine, mediante um simples interrogatório, encontrando a ciência no seu próprio interior.
MÉNON: Sim.
SÓCRATES: Mas encontrar em si mesmo a ciência não será recordar-se?
MÉNON: É.
SÓCRATES: E não terá, ou adquirido nalguma ocasião, ou sempre tido, a ciência que agora possui?
MÉNON: Sim.
SÓCRATES: Ora, se sempre possuiu o conhecimento então sempre soube. E, se o adquiriu nalguma ocasião então não foi nesta vida. Ou, acaso, alguém ensinou geometria ao teu escravo? Aliás, repetiria com todas as demais ciências o que acaba de fazer com a geometria. E, então, quem foi que o instruiu relativamente às ciências? Poderás responder-me, pois ele nasceu, como disseste, em tua casa, e aí cresceu.
MÉNON: Asseguro-te que ninguém lhe ensinou nada.
SÓCRATES: E, todavia, ele possui efectivamente tais conhecimentos. Ou, acaso, achas que não?
MÉNON: Sim, caro Sócrates, é manifesto que os possui.
Retirado de HISTÓRIA DA MATEMÁTICA,
Maria Fernanda Estrada, Carlos Correia de Sá,
João Filipe Queiró, Maria do Céu Silva e Maria José Costa,
Universidade Aberta, 2000
(Pág. 342-350)




No Ménon, Sócrates interroga um jovem escravo e leva-o a descobrir como duplicar a área de um quadrado.

Porquê um escravo?


porque, sendo escravo, está garantido à partida que nada aprendeu nesta vida, de modo que fica provado que todo o conhecimento que venha a revelar deve ser uma recordação de uma vida anterior. 

Com este episódio o que é que Platão consegue mostrar?
  • que conhecemos verdades matemáticas que não aprendemos nem pelo ensino nem pela experiência
  • que os seres matemáticos são um exemplo das verdades imutáveis e universais que podemos aprender por recordação
  • que, por isso, deve existir um reino de verdades absolutas e imutáveis, fonte e base de todo o nosso conhecimento.

Mas, que papel desempenham as Matemáticas no Ménon?


  • elas funcionam, em primeiro lugar, como método. Já na primeira tentativa de determinar a essência da virtude se recorre, como prova, à definição da figura. Na segunda parte do diálogo, onde Sócrates e Ménone enfrentam novamente o problema de saber o que é a virtude, é outra vez ao exemplo das matemáticas que recorrem. Ainda não sabem o que é a virtude mas, como o que fundamentalmente lhes interessa é saber se pode ser ensinada, Sócrates formula o problema de outro modo, ao perguntar qual deverá ser a natureza da virtude, para que seja susceptível de ser ensinada. Trata-se assim de recair no conhecido postulado de que a virtude não é mais que um saber. E de novo é invocado o exemplo dos geómetras em apoio deste método. 


  • elas são tidas em conta para ilustrar o tipo de saber que Sócrates se propõe como objectivo. Este tipo de saber tem em comum com as matemáticas o facto de não estar submetido ao campo do perceptível. Sócrates explica-o a Ménone, fazendo com que o escravo, um homem novo sem qualquer cultura embora não desprovido de talento, descubra por si próprio, mediante perguntas apropriadas, a regra do quadrado da hipotenusa com base numa figura toscamente desenhada no chão. Esta experiência constitui o momento mais brilhante do diálogo. Platão deixa-nos contemplar as reflexões que levam Sócrates à aceitação da existência de um conhecimento não redutível à experiência sensível. Como é natural, sem o auxílio de Sócrates, o jovem jamais teria dado os passos necessários à descoberta daquela complicada realidade matemática. Antes de compreender a verdadeira razão do problema, o escravo incorre em todos os erros em que forçosamente cai toda a inteligência que não tem outro horizonte senão o que lhe é aberto pelos sentidos. Mas, por fim, a certeza brota do seu interior. E não é do ensino mas da consciência da necessidade das relações matemáticas em causa que essa convicção resulta. 

(...)
Para Platão, a missão da filosofia era descobrir o conhecimento escondido atrás do véu da opinião, das aparências, da mudança e da ilusão do mundo temporal. Nesta tarefa a matemática ocupava um lugar central, pois o conhecimento matemático era o exemplo perfeito do conhecimento independente dos sentidos, conhecimento de verdades necessárias e eternas.

No livro Meno, de Platão, Sócrates questiona um jovem escravo e leva-o a descobrir que a área do quadrado grande (v. figura) é o dobro da área de ABCD,cuja diagonal tem o comprimento do lado do quadrado grande. Como é que o jovem escravo sabe isto? Sócrates afirma que o rapaz não o aprendeu nesta vida mortal; por isso o seu conhecimento deve ser uma recordação da vida antes do nascimento.



Para Platão, este exemplo mostra que existe conhecimento verdadeiro, conhecimento do eterno. Platão argumenta que:

  1. Conhecemos verdades da geometria que não aprendemos nem através da educação nem da experiência; 
  2. Este conhecimento é um exemplo das verdades imutáveis e universais que, realmente, aprendemos e reconhecemos; 
Assim, deve existir um reino da verdade absoluta e eterna, a fonte e a base do nosso conhecimento do bem
Davis, Philip J. e Hersh, Reuben, A Experiência Matemática, Ciência Aberta, n.º 75, pág. 305-306
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Eu acredito que a moda deve ser divertida, criativa e acima de tudo, confortável. Quer seja casual, roupa diária ou especial como um vestido de noite super chik, uma decoração da sua sala de estar ... Confortável e em harmonia, você vai ficar bem. É muito simples.

O motivo desse blog existir, assim meio confuso, cheio de diversidades nos temas é porque gosto de ciências, história, astronomia, esoterismo, antiguidades, gosto da criação, invenção, inovação, de qualquer tipo e necessito consumir muita informação sobre esses temas pra continuar existindo, é uma paranóia e amo compartilhar, caso tenham alguma dúvida ou sugestão basta passarem um email annahelena@hotmail.com.br, adoro responder todos..colaborem amigos! by Anna Helena